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Além da avaliação: Como uma ferramenta da Perkins está transformando escolas no Brasil

Da sala de aula à gestão pública: conheça o impacto da Avaliação da Qualidade da Perkins no Brasil. Com foco em colaboração e evidências reais, essa metodologia ajuda escolas a transformarem suas práticas inclusivas. Conheça as histórias de mudança real e as lições que estão servindo de mapa para a inovação educacional em algumas regiões.

Registro de uma reunião de avaliação colaborativa durante a implementação dos Indicadores de Qualidade da Perkins. Professores, equipe gestora, representantes das famílias e equipe técnica da Secretaria de Educação analisam suas práticas e definem prioridades para fortalecer a qualidade educacional. Escola Bernardo Sayão, Suzano 2024.

Muitas vezes pensamos em “avaliação” apenas como uma medição de resultados ou uma prestação de contas. No entanto, na Perkins, vemos a avaliação sob uma perspectiva formativa, transformando-a em uma ferramenta estratégica de apoio e melhoria. Avaliar não é sobre julgar, é sobre fazer uma pausa para observar, refletir e ajustar o foco para garantir que cada estudante receba a educação de qualidade que merece.

Em nossos programas no Brasil, essa visão ganhou vida por meio da Avaliação de Qualidade da Perkins. Não se trata apenas de uma lista de verificação técnica, é o motor que permite que diretores, professores e famílias se sentem à mesma mesa para transformar sua realidade.

Abaixo, exploramos como o processo de melhoria educacional nos programas apoiados pela Perkins no Brasil, guiado por essa avaliação, está estabelecendo uma cultura de colaboração. Nesse modelo, a avaliação torna-se um diálogo entre todos os membros da equipe escolar, garantindo que cada decisão seja tomada por consenso para construir uma escola verdadeiramente inclusiva.

O desafio: como medir a qualidade da educação inclusiva?

Em muitos contextos, a educação inclusiva permanece apenas no papel ou como um conjunto de boas intenções. O principal obstáculo para as escolas não é a falta de vontade, mas a ausência de um guia claro. Como saber se uma criança com deficiência visual está participando e aprendendo de forma eficaz? Como determinar se a família está genuinamente envolvida e se a escola está, de fato, transformando suas práticas?

Para responder a essas perguntas, a Perkins desenvolveu a Avaliação de Qualidade. Mais do que uma avaliação externa, esta ferramenta é uma estrutura organizada em dimensões que permitem uma análise abrangente da vida escolar. Os indicadores abrangem desde a gestão e organização institucional até aspectos fundamentais, como o planejamento pedagógico e a relação entre a escola, as famílias e a comunidade escolar.

A Perkins não projetou esta ferramenta como um exame para dar notas às escolas, mas como um espelho institucional. É um recurso que permite às equipes educacionais pausar e refletir: “É aqui que reside nossa força, mas é aqui que precisamos concentrar nossos esforços para crescer”.

Brasil: uma avaliação que constrói compromisso profissional

A implementação da Avaliação de Qualidade da Perkins no Brasil gerou aprendizados significativos, impulsionados pelo feedback contínuo e pela participação ativa das comunidades escolares.

A experiência brasileira ajudou a equipe da Perkins a entender que a avaliação formativa não é um evento isolado ou um objetivo final, mas um processo permanente de aprendizado institucional. Ao manter dinâmicas de melhoria sistemática ao longo do tempo, as equipes conseguiram fortalecer sua organização interna e alinhar sua visão pedagógica com práticas de qualidade.

Esse crescimento permitiu que diversas escolas se posicionassem como líderes em seus territórios. Ao final desta fase do projeto em 2025, o Brasil conta com sete escolas públicas certificadas como referência em dimensões-chave da educação inclusiva. Esta certificação é mais do que um reconhecimento, é a validação de uma capacidade instalada para sustentar uma educação de qualidade e, acima de tudo, para oferecer mentoria a outras instituições em seu próprio caminho de melhoria.

Receber o Certificado de Escola Modelo em Inclusão foi e continua sendo muito importante porque prova que, com o apoio certo, como o que nossa equipe recebeu, a inclusão é possível. Nos enche de orgulho fazer parte do processo e dos resultados, e toda a comunidade local se beneficia — especialmente os alunos.

Emerson Nogueira de Carvalho, Diretor da Escola Beira Rio

Caso de sucesso: o “efeito Macapá”

O impacto deste projeto da Perkins transcende os muros das escolas para transformar também a gestão pública na cidade de Macapá, no norte do Brasil. A implementação dos Indicadores de Qualidade forneceu informações precisas e evidências fundamentais que permitem às autoridades concentrar seus esforços e agir com maior rigor na busca por mudanças sistêmicas.

Esta ferramenta atuou como um facilitador estratégico para a gestão pública, fornecendo às equipes técnicas dados localizados sobre as necessidades reais do sistema educacional. Graças a esse sucesso, o município e a Perkins lançaram um projeto piloto em 2024 para alcançar inicialmente 14 escolas públicas, com o objetivo ambicioso de escalar essa metodologia para todas as 105 escolas da rede municipal.

No entanto, a verdadeira inovação em Macapá não é somente o documento técnico, mas a mudança de mentalidade. A avaliação permitiu que o governo local utilizasse evidências reais da sala de aula para a tomada de decisões. Não se trata mais de implementar políticas genéricas, mas de desenhar soluções sob medida para o contexto específico do norte do Brasil.

Essa transformação prova que, quando uma ferramenta técnica é colocada nas mãos de uma comunidade engajada, a inclusão deixa de ser um conceito abstrato e se torna um direito garantido em cada espaço de aprendizagem.

Lições de impacto: a prática como fonte de aprendizado

Ao longo de anos de trabalho no Brasil, essa abordagem nos permitiu aprender com o próprio processo, transformando a experiência de campo em conhecimento sistematizado. A avaliação deixou de ser um momento final de medição para se tornar um processo contínuo de observação, reflexão e tomada de decisão envolvendo todos os atores do sistema educacional.

Desta jornada, surgiram lições fundamentais:

  • O Professor como Protagonista: Ao utilizar esses indicadores, os professores deixam de ser apenas “executores” e se tornam analistas críticos. A avaliação não é mais uma tarefa imposta de fora, mas uma prática pessoal nascida do compromisso com seus alunos.
  • Uma Linguagem Comum para a Melhoria: A avaliação atuam como uma ponte comunicativa. Eles permitem que a comunidade escolar compartilhe a mesma “linguagem” para reconhecer forças e superar desafios em conjunto. Como aponta Leandro Bassini, ex-secretário de Educação de Suzano, isso ajuda a construir uma visão onde famílias, professores e diretores estão interconectados.
  • Transferibilidade e Escalabilidade: Essas lições transcendem o contexto inicial e mostram uma grande capacidade de alcançar novas áreas de desenvolvimento em toda a América Latina. A abordagem de avaliação formativa expandiu-se, por exemplo, para o desenho de indicadores para processos de alfabetização e o fortalecimento da participação das famílias.

Construindo uma cultura institucional de avaliação

Fundamentalmente, o aspecto verdadeiramente inovador desta experiência é a consolidação de uma cultura de melhoria compartilhada. Quando a avaliação é integrada ao DNA das escolas e dos sistemas educacionais, ela deixa de ser um requisito técnico e se transforma no motor que sustenta a qualidade, promove o aprendizado organizacional e garante o bem-estar de estudantes, educadores e famílias.

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